Beleza Extraordinária

Cabelo cacheado e crespo no trabalho: veja a história de 3 mulheres que assumiram os fios naturais

  • A jornalista Ellis Vieira já ouviu críticas sobre o seu cabelo na faculdade e no primeiro estágio (Foto: Instagram @ellisvieira @hudsondiasfoto)
  • A recreadora infantil Ingrid Ferreira já foi convidada a prender os cabelos no trabalho (Foto: Arquivo Pessoal)
  • A jornalista Livia D'Ambrósio decidiu passar pela transição capilar motivada pelo ambiente de trabalho (Foto: Instagram @liviadam)
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A jornalista Ellis Vieira já ouviu críticas sobre o seu cabelo na faculdade e no primeiro estágio (Foto: Instagram @ellisvieira @hudsondiasfoto)
  • A jornalista Ellis Vieira já ouviu críticas sobre o seu cabelo na faculdade e no primeiro estágio (Foto: Instagram @ellisvieira @hudsondiasfoto)
  • A recreadora infantil Ingrid Ferreira já foi convidada a prender os cabelos no trabalho (Foto: Arquivo Pessoal)
  • A jornalista Livia D'Ambrósio decidiu passar pela transição capilar motivada pelo ambiente de trabalho (Foto: Instagram @liviadam)

Você conseguiria dizer o quanto alguém é competente só de olhar os cabelos? Por mais que essa pergunta pareça coisa do passado, o tabu com os fios cacheados existe e já fez parte da vida profissional de Ellis Vieira, Ingrid Ferreira e Lívia D'Ambrosio - três mulheres com diferentes histórias sobre superação (e até mesmo aceitação) dos cabelos naturais no trabalho. Quer saber como elas viveram e venceram o preconceito? A gente te conta na matéria!

Ellis Vieira: "O talento se sobrepôs ao preconceito"

  • Ellis Vieira entende que o preconceito está na relação dos cachos ao visual informal (Foto: Instagram @ellisvieira @hudsondiasfoto)
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Ellis Vieira entende que o preconceito está na relação dos cachos ao visual informal (Foto: Instagram @ellisvieira @hudsondiasfoto)

Ellis Vieira é jornalista, tem 24 anos e passou pela transição capilar em 2012. Apesar de já ter entrado no mercado de trabalho totalmente cacheada, ela conta que teve receio de ser julgada pelos fios - e com razão. Ainda na faculdade, Ellis ouviu de uma professora que seus cabelos seriam um empecilho para que fosse âncora de TV. Quando conseguiu o primeiro estágio na área, viu que o preconceito era real.

Beleza Extraordinária: Como foi quando você começou a trabalhar?

Ellis: A história mais marcante foi quando comecei a apresentar o principal telejornal da empresa onde eu trabalhava. Fiz o teste e a pessoa responsável disse "muito bom, você apresenta muito bem, a única questão é o seu cabelo". E eu sabia que ele não dizia aquilo por si mesmo, mas por conta da política da empresa, um costume de que quem apresentaria o jornal deveria seguir o padrão pele clara, cabelo liso...

BE: E como foi para driblar isso?

Ellis: Com o tempo eu fui apresentando e mostrando que realmente era capaz, tudo foi se encaixando e nada mais foi dito sobre o meu cabelo. Acho que o talento se sobrepôs ao preconceito das pessoas. Agora trabalho com cultura, mas não falam muito a respeito do meu visual, não é mais uma pauta. 

BE: Você acha que ainda existe muito preconceito com o cabelo cacheado no ambiente de trabalho?

Ellis: Sim! Acho que melhorou em determinados setores, como cultura e ambientes mais informais. Até porque o discurso de não-preconceito e autoaceitação ajudou muito. Só que ainda se relaciona muito o cabelo liso a você estar alinhada e formal, enquanto o cabelo cacheado é o cabelo informal, descontraído.

Isso não deveria acontecer. O cabelo cacheado não é só descontraído e informal, ele é relacionado ao tipo físico, à mulher negra. Dá pra gente ficar muito bem vestida e chique com o cabelo cacheado, sim!

BE: O que o seu cabelo é para você? Mudaria ele no futuro por causa do trabalho?

Ellis: Meu cabelo é a expressão daquilo que eu sou, da minha personalidade, é muito mais do que deixar ele natural por deixar. Concordo que cabe a nós discernir se aquilo que o chefe questiona é algo viável e coerente, ou se é algo que vem de um preconceito. Se for coerente, vale adaptar, mas não mudar - porque não podemos perder a nossa identidade. Alisar ou cortar, jamais. Adaptar... talvez!

Ingrid Ferreira: "Tenho certeza que o preconceito está longe de acabar"

  • Ingrid Ferreira decidiu sair do emprego em que os cabelos não era bem aceitos pela chefe (Foto: Arquivo Pessoal)
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Ingrid Ferreira decidiu sair do emprego em que os cabelos não era bem aceitos pela chefe (Foto: Arquivo Pessoal)

Por outro lado, enquanto Ellis já pensava no que poderia enfrentar por conta dos cabelos, a recreadora infantil Ingrid Ferreira, de 23 anos, confessa que nunca tinha considerado passar por algo parecido - até que uma situação constrangedora fez com que ela começasse a entender o que era o seu cabelo para outras pessoas. 

Beleza Extraordinária: Qual foi a sua experiência mais marcante com cabelo natural e trabalho?

Ingrid: Uma vez fui convidada a ficar com os cabelos presos no trabalho, com o pretexto de que chamavam muita atenção - sendo que tinham mais duas funcionárias de cabelos lisos que não precisariam ficar com os cabelos presos. Na hora eu fui pega de surpresa, aceitei prender os cabelos e cumprir meu horário de trabalho com ele assim.

BE: E como você se sentiu com essa situação?

Ingrid: No fim do expediente eu fui ao banheiro e veio à cabeça que não, eu não precisava ficar com os cabelos presos, não era uma regra do trabalho, não trabalharia com alimentos e só eu que teria que passar por esse constrangimento. Decidi ir até a dona do estabelecimento e perguntei o motivo de ter que ficar com o cabelo preso, mas ela não soube me responder, deu uma pequena desculpa e eu entendi que ali não era o meu lugar.

BE: Você acha que ainda existe muito preconceito com o cabelo cacheado no ambiente de trabalho?

Ingrid: Tenho certeza que o preconceito está longe de acabar e ainda temos muitas empresas que usam a palavra “perfil” para escolher funcionário mesmo sendo qualificado para o cargo. 

BE: O que o seu cabelo é para você? Mudaria ele no futuro por causa do trabalho?

Ingrid: Eu fazia relaxamento desde dos 10 anos de idade, usava ele enrolado mas com produtos para relaxar a raiz. Sempre tive uma boa relação com o meu cabelo, hoje em dia tenho mais ainda. Já faz 3 anos que não uso nenhum relaxamento e amo ele do jeito que é. Não mudaria por trabalho nenhum.

Lívia D'Ambrosio: "Decidi fazer a transição pelo incentivo que recebi na empresa"

  • Livia D'Ambrosio assumiu os cachos com a ajuda e incentivo das colegas do trabalho (Foto: Instagram @liviadam)
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Livia D'Ambrosio assumiu os cachos com a ajuda e incentivo das colegas do trabalho (Foto: Instagram @liviadam)

Por sorte, e ao contrário de Ellis e Ingrid, foi justamente o ambiente de trabalho totalmente descontraído que faz da história de Lívia D'Ambrosio a mais diferente das três. A jornalista de 26 anos sempre foi adepta do alisamento e coloração, mas finalmente decidiu assumir os cachos motivada (em grande parte) pelas histórias de transição que viu na empresa onde trabalha. 

Beleza Extraordinária: Por que você tomou a decisão pela transição capilar?

Lívia: Além de progressiva eu também fazia mechas. No início foi complicado porque eu não tinha grana pra retocar as químicas, e percebi também que algumas pessoas não "aceitavam" a raiz crescida. Aí decidi fazer a transição não pelo ambiente de trabalho, mas pelo incentivo que recebi na empresa.

BE: Como foi esse incentivo?

Lívia: Vi muitas meninas no mesmo setor que eu fazendo transição juntas e isso me animou. Muita gente dentro e fora da empresa veio me pedir dicas de transição também, foi legal contagiar pessoas.

BE: E como foi passar pela transição no trabalho?

Lívia: Durante a transição eu notei alguns olhares tortos até mesmo por outras pessoas da empresa, porque realmente o cabelo não fica bom todos os dias durante esse período. Mas quando fiz a transição e apareci aqui com os cachos assumidos todos do setor me elogiaram o dia inteiro, eu nem sabia mais o que falar. Fiquei com o sorriso paralisado no rosto! 

BE: Você mudaria o cabelo por causa de outro trabalho no futuro?

Lívia: Se eu fosse para outro lugar mais formal, como um escritório, provavelmente ficaria com receio, mas não mudaria meu cabelo. Acho que minha aparência não afeta meu lado profissional e as pessoas precisam entender isso. Hoje os cachos significam tudo que um dia eu lutei pra ser, a pessoa que realmente sou, a minha essência. 

Redação: Raquel Carletto

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